Sexta Feira


Acordei com a certeza de que vestiria branco. Trago na bagagem da vida o peso da ancestralidade, que é leve e me dá coragem dizendo que não ando só. Sexta vesti branco pra saudar os meus.


Branco porque na sexta a vida bateu de frente comigo e cobrou a força que vem de cima e outrora havia esfriado dentro de mim. 
Branco, porque mesmo forte preciso levar a vida na calma. Ser serena. E não sou. 
Branco, porque em mim é paz. Não que o preto seja de guerra. Guerra é vermelho, e verde, do rei que fala mais alto.
Branco pois nela todas as cores se misturam e sou mais uma entre elas.
Que o machado afiado da língua não me toque, que o punhal das palavras frias não me encontrem, que os olhos cortantes e sem esperança não me vejam, que a presença do arrogante não me sinta e o sentimento de pequenez se desfaça na neblina branca de toda manha e que a justiça me cubra.
Tô pronta pra batalha!