A madrugada de sexta

A madrugada de sexta é das poetas. Das loucas. Inconsequentes. Das que ligam porque tiveram saudade. Das que gritam porque tem ar demais nos pulmões. Das que choram copiosamente e limpam a maquiagem borrada na manga da blusa. Borram o batom e não ligam se você vai achar feio. Sabem que tudo se conserta. O batom, a lágrima e o grito. Das que retiram o sapato se esse apertar o calo. 

A madrugada é das loucas. As que amam demais. Odeiam demais. Desejam na mesma medida. De oito a oitenta, passando por cada casa decimal de intensidade. As insone. Descabeladas. Cheias de luxuria. A madrugada é das apaixonadas. Loucas. Mas apaixonadas.


E na madrugada, eu, que não vejo a hora do sono chegar, por não me enquadrar em nenhuma das descrições acima.