Menino,

Ah menino, se tu soubesse como tua presença me deixa louca, e a sua voz rouca me arrepia, não pararia um segundo se quer de me perturbar.
Teu cabelo desregrado, emaranhado, feito cama de gato, parece que grita chamando meus dedos. E eu ouço, meio que fascinada, e chego a imaginar a textura do cabelo crespo, lindo, pedindo pra ser amassado, acarinhado, e selvagemente puxados por minhas mãos.

Menino, menino. Essa malemolência escondida pela timidez, mexe comigo de um jeito perigoso. Te aviso, cuidado. É me olhando desse jeito, quando acha que não  percebo, que minha pele se ascende e arde, e um toque é suficiente pra queimar. 
Não me deixe aqui, em meio a devaneios loucos, de sorrisos bobos ao te imaginar num lugar comum. Quero de uma vez o toque, a risada baixinha no pé do ouvido enquanto mãos e pernas se entrelaçam numa tarde fria. Companhia. 
É que você parece um mix de luxuria com timidez, e eu quero saber qual desses dois é você.
E que a sua voz grossa, na próxima vez que me chamar, seja seguida de um convite, que é pra matar a vontade e a curiosidade. 
Vem logo, que pra saber que gosto tem, é preciso experimentar.