Astrologia do desejo.

O desejo não obedece as leis da astrologia.
Não adianta tentar me convencer do contrário. Desejo é desejo e pronto. Quando surge, pouca coisa consegue deter.
O olhar correspondido, o anseio pelo toque, o formigamento da língua, o comichão na pele, falam mais alto que o sol e o ascendente do outro. Quem precisa de mapa astral quando pode desenhar os contornos da pele com as próprias mãos? Descobrir os limites daquele território guiando-se apenas pelos sentidos, cada vez mais vivos, frente o desejo de invadir os lençóis.
Não há possessividade em touro que resista ao desejo por um aquariano, mesmo com suas modernidades. Não há excesso em arianas que resistam ao fogo que pode surgir por um virginiano, mesmo com a personalidade discreta e organizada deste. Não há remédio para a agressividade de leão frente à necessidade do toque de um escorpião mandão. E que loucura seria, se os cancerianos desistissem do desejo por um sargitariano, por conta da sua sensibilidade frente a despreocupação do outro.
Que os astros se alinhem, ou não. E que a lua escolha qual o signo que quer entrar neste dia. São os corpos que falam mais alto. É quando todos os signos viram fogo: intenso e quente. E também terra: dura, firme. E ao mesmo tempo leve, refrescante, como o ar, fluido, transparente como a água. Desejo é a junção de todos os elementos, alinhado a todos os planetas. E Plutão.
Desejo (E amor, oras!) não obedece as leis da astrologia. E toda vez que ele te invadir, faz um trato consigo mesmo: esquece o mapa astral assim que deitar na cama. Porque desejo se mata despido: de signos, de egos, e crendices.