Da flor, o adeus.

Acabei de voltar do cinema. Fui sozinha. Entendi que faz parte do processo de independência emocional que eu coloquei como meta para esse ano, que vai e maravilhoso.
Confesso que eu gostaria de ter ido contigo, é uma das várias coisas que eu pensei em fazer em sua companhia.
Quando cheguei em casa me deu aquela vontade louca de te ligar e contar sobre os filmes que assisti. E das coisas que ando fazendo pra não pensar em você.
Se você estivesse aqui eu te diria que também assisti a seu último vídeo, e que quando você deu risada, eu ri junto.  E senti sua falta.
Sabe, sentir falta é diferente de sentir saudade.
Saudade a gente sente tendo a certeza que vai matar, que vai deixar de sentir. Falta é quando a realidade bate a porta, dizendo que não está mais confortável com o que quer que esteja acontecendo, e vai embora. Nem olha pra trás.
Teu sorriso me faz falta, tua voz cantada e o som do seu violão também fazem. Estou certa de que farão por algum tempo.
Nós dois não somos tão parecidos, e por vezes eu ficava pensando que não seríamos aquele casal que olham e afirmam ser feitos um para o outro. Mas que de alguma forma, no fundo de toda essa loucura, encontraríamos um jeito de fazer funcionar.
Mas não deu tempo. Provavelmente por que não era o nosso, nem das divindades que você tem fé. Aceito isso.
Não considero mais estranho o sumiço repentino. É uma tentativa, talvez, de fingir que não aconteceu nada, e não mudou nada em nós. Bom, não há certeza de que tenha acontecido contigo, mas comigo sim. E eu lhe agradeço por isso. Porque você veio e provocou uma revolução, mesmo que não tenha se dado conta. Mas eu percebi, e não vou esquecer.
Seus olhos azuis vão permanecer, como água, pra manter correndo o fôlego de novidades que foram despertadas.
Tua risada linda ainda vai ser o canto mais gostoso guardado no fundinho da memória, como um lembrete, um impulso.
Não que eu já me sinta bem em pensar em ti só como um caso que chegou, aconteceu, e foi embora. Mas porque eu já entendi que remoer não pode me ajudar.
Fica aqui então, guardado no lugar que você invadiu, com a permissão necessária para tal, e eu juro que deixarei permanecer assim por tempo indeterminado.
Mas no plano real, adeus. Você me encantou demais, mas não posso viver imaginando como seria estar com alguém que não quer ser meu.

Com carinho,


A flor, que não chegou a ser sua, e que você não vai ver crescer, mas foi você que plantou.