Dois

Quando um não quer, dois não brigam. Não falam, não beijam, não abraçam.
Calam, desencorajam, enlouquecem, se magoam. Não dão o braço a torcer. Não pergunta o "porque".
Quando um não quer, se acabam as flores, o riso, o suspiro e o gozo. Depois, o azedo e a ferida.
Tudo é inemendável, sofrível, amargo.
Sobra, então, a vontade (do desejo), o tato e o ouvido.
Agora tente querer, se um quer, talvez dois tentem tentar.