Pela mesma porta.

Você vai entrar por aquela porta e eu já vou estar te esperando com todos os teus pecados nas mãos. Eu vou correr pros teus braços, vou me atirar em teu colo, vou circular tua cintura com minhas pernas e te apertar de um jeito que te faça sentir o que é certo.
Você vai me sorrir, brilhando com teus dentes brancos, vai me olhar com teus olhos faceiros que escondem mil e um segredos, dizer que sentiu minha falta e perguntar como estou, se estou bem. Vou segurar teus cabelos, manchar tua boca com meu batom cor de rosa que você tanto odeia, vou te olhar com os olhos de quem não sabe de nada e em minha inocência fingida vou lhe dar meu melhor sorriso e dizer que sim, estou bem. Você, com seu ar de menino levado, que jura por Deus ou pelo diabo, vai me abraçar até doer, vai aquecer minha orelha com palavras bonitas e implantar em meu cérebro imagens de um sonho bom, de um futuro conjunto e tardes de um domingo preguiçoso à beira do mar, ou em cima da cama. E eu vou rir aquele riso tão conhecido que te acompanha já há alguns meses, que te perturba e lhe tira do sério, que lhe vira a cabeça. Vou concordar, vou me entregar. Mas antes que tu vás embora, vou lhe dizer que não tem mais volta, que pode tratar de se perder em outros lençóis e que a minha voz você não vai mais ouvir gemer. Você vai sair pela mesma porta e vai levar teus pecados sem absolvição.